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domingo, 7 de setembro de 2014

Servos Caóticos

Servos Caóticos

A internet aproximou muitos praticantes da Magia do Caos para que notássemos muitas diferenças nas práticas individuais, até mesmo no mesmo panteão. Pessoas maios sábias entre nós aprenderam umas com as outras, as outras ainda reclamam que tudo está "errado". Prefiro aprender do que ensinar, e assim sugiro às demais pessoas.
Tradicionalismos à parte, o meta-modelo (já mencionado em outro blog anterior) da Magia do Caos possibilitou a criação de entidades autônomas conscientes em dimensões paralelas acessassem nossa realidade realizando comandos pré-configurados por estados alterados de consciência. Estas energias usadas por magos caóticos podem utilizar qualquer dos outros modelos juntos, a caracterizar a Magia do Caos a algo mais do que filosofia, mas também uma tecnologia para obtenção de resultados. Então a Magia do Caos como abordagem ou postura mágicka pode usar sistemas e até a ciência já existentes como caminho para resultar, por exemplo, nos SERVOS (ou Servidores).
Neste blog sobre servidores algumas questões práticas da sua criação são abordadas também a elucidar dúvidas quanto a minha obra "Magia Prática de Servidores, Gênios e Gólens".
Magos modernos, mágicos, feiticeiros caos contemporâneo e os outros usuários mágicos de servos parecem ter adotado uma visão psicodinâmica modificada de personalidade, ea maneira pela qual nos identificamos.
Praticantes modernos parecem usar servos como uma visão psicodinâmica de sua própria personalidade, para que possam mascarar a visão de sua própria identidade em "cores novas". Quando Freud e outros fundadores da psicoanálise (como Jung, Adler, etc.) sugeriram que enxergaríamos nós mesmos através do tempo, seria derivado de uma síndrome motivacional do que queremos e como conseguiremos isso, abordaram como algo fundamental ao nosso desenvolvimento.  Realmente chocaram o pensamento da época, pois os vários pré-existentes até então eram bem distintos. Então praticantes da Magia do Caos viram que estabelecer-se como se é é uma alternativa, mas irmos além é outra alternativa. Talvez entramos em outra síndrome, mas avançarmos de uma posição situacionista à personalidade nos possibilita observar nossos comportamentos dominantes em cada momento a usarmos nossa própria identidade aos nossos objetivos e transformar tais posturas. Este oportunismo da pessoa para consigo mesma é usada como ferramenta a obter sucesso na execução de sua Vontade. Ok! Pode reclamar que o Budismo e filosofias do Extremo Oriente já operam a psiquê de seus praticantes faz tempo, porém algumas restrições restringem esta operação de forma contínua, como a construção disto permanente, ou condicionar isto a um estado alterado de consciência (Samadhi). Como exemplo, Phil Hine, em seu panfleto "Chaos Servitors, a User Guide", escreve sobre a personalidade:

"Eu prefiro a analogia de si como uma cidade-entidade orgânica, onde algumas partes são mais proeminentes do que outras, onde existem túneis e esgotos escondidos, e onde os níveis menores carregam energias vitais para edifícios. A cidade-personalidade por conta própria muda continua e crescentemente - derruba um prédio de crença, e outro volta a crescer em seu lugar".

Numa combinação de vocabulário psicanalítico e metafísico védicos com uma insistência na fundamental motivação, Austin Osman Spare passou suas teorias de magia unindo teorias psicodinâmicas do eu junto com as orientais, focadas na motivação (Vontade), como no seu "O Livro dos Prazeres":

"O 'eu' é o 'Nem-Nem', nada omite, indissolúvel, além de predisposições; dissociação da concepção de que seu próprio amor invencível é o único verdadeiro, seguro e livre... Este amor-próprio é agora declarado por mim como o meio de evoluir milhões de idéias ao prazer sem amor, ou seus sinônimos - auto-censura, doença, velhice e morte. O Simpósio da personalidade e do amor. Ó! Homem sábio, Agrade a si".

Servidores ou servos seriam uma parte da personalidade mágicka de seu criador, como se fosse cortado a partir deste. Mas pode ser além do inconsciente, indo além desta visão limitada de servos considerados como partes cortadas da Mente Profunda, em conseqüência não localizados na psique. Mas estes casos servem para demônios, anjos, amigos imaginários, poltergeists e talvez até mesmo fantasmas, como formas-pensamento.

Praticantes modernos e mais ecléticos instauraram esta prática na Magia do Caos com muito êxito, numa psicodinâmica e com servos motivacionais, além de sua própria natureza funcional e muito fáceis de serem operados. Claro que para praticantes da Magia Cerimonial Tradicional ao verem o quanto dedicaram em sua eterna busca por evocações de anjos, demônios, elementos e seres espirituais realmente ficam chocados. Isto porque a complexidade da resposta de tais convocações além de requisitarem muito tempo, recursos e estudo, têm como respostas posturas duvidosas, principalmente pela dúvida do quanto será independente após qualquer pedido. Oferecer energia para colher resultados pode ainda não ser o suficiente para o sucesso, mesmo que conceda um local legal para tais energias viverem.

Mas então o que é um Servidor?

Síndromes Motivacionais (Vontade) são fundamentais para a magia de Spare, que em sua adoção da expansão Junguiana da teoria do inconsciente de Freud teorizou a ideia de um inconsciente coletivo compartilhado por todos, transpessoal como resíduo da evolução humana. Jan Fries, apesar de não se declarar caótico, define como "Mente Profunda" o que Spare chamou de sub-consciente coletivo:

"Conhecereis a sub-consciência como um epítome de todas experiências e sabedoria, encarnações passadas como homens, animais, pássaros, vida vegetal, etc, etc, tudo o que existe, tem e sempre existirá".

Apesar de Spare e Carroll tentarem criar um vocabulário técnico a descrever fenômenos e técnicas desta origem, seria um "modelo discussional" segundo um outro mago chamado FireClown para um senso comum na linguagem mágica, mas o perfil individual dentro até mesmo das práticas cerimoniais anulou tal esforço. Sempre anulará. Mesmo que muito mais antigo que a Magia do Caos, o termo Servidor é um exemplo, que era usado mais como "servo", como na ficção de Clark Ashton Smith na década de 30, quando atualizavam as informações com os mesmos através de evocações. Carroll tentou definir como uma legião de nomes tirados de muitas culturas:. Elementais, familiares, íncubos, súcubos, Bud-vontades, demônios, atavismos, fantasmas, espíritos, entre outras, e Phil Hine já foca na criação de tais seres:

"Deliberadamente brotando em partes de nossa psique e identificando-os por meio de um nome, traço, símbolo, podemos vir a trabalhar com eles (e entender como elas nos afetam) em um nível consciente".

Então na Magia do Caos Servidores foram aceitos como uma parte da psiquê de seus praticantes, ou uma parte da Mente Profunda evocada a executar uma tarefa. Independente se existem previamente ou não, o que importa é a crença depositada nelas, a torná-los uma imagem da verdade.
Então servidores são uma primeira porta para pessoas que não tem qualquer tradição arraigada em sua família ou tradição formada pela experiência, a começarem a praticarem magia com êxito. Sim! Somos aquelas crianças que utilizavam Lego, Falcon, Pokemons ou qualquer símbolo a manifestarem nossas Vontades, assim como garotos com carteira de motorista embelezam seus veículos a causar impacto em observadoras. Claro que crianças são mais versáteis e pragmáticas, quando garotos com carteira de motoristas são objetivos e com pouco sucesso no feedback. Resultados condizentes com sua criação, sejam simples ou complexos, são seres criados a certos propósitos com existência semi-independente. No caso dos demônios a situação se torna distinta, pela dificuldade de adaptação dos mesmos, por mais que se inicie desta forma.

Um comentário:

  1. Mas um ótimo POST PARABÉNS pelo mesmo,é por essas e outras que soi fã do seu trabalho 😎

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